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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Singularidade


 “A prosa e verso das expressões de face maldita podem antecipar ao inédito olhar de si mesmo inexplicáveis belezas, contidas na originalidade de ser único”
(Hélio Strassburger)                                         


De tudo o que intuímos, sentimos ou pensamos, infinitos saberes, racionalidade e emoções participam, como visitas e revisitas, na elaboração das malhas intelectivas e sensitivas da existência.
Mas há um pontinho essencial, primordial, fundamental, que através de trilhas improváveis, nos direciona, assim como uma estrela nos guia na mata escura do destino imprevisível, nos orientando na imensidão existencial.

Este pontinho é a nossa singularidade!

A mais desafiante e desestruturante capacidade de sermos únicos no universo... o mesmo universo infinito por onde transitamos, de carona neste pequeno mundo líquido e azulado, onde atmosferas são cúmplices da nossa ínfima transitoriedade.

Não escapamos ao que nos determinamos ou ao que somos determinados a viver. E talvez não exista nenhuma importância neste escapamento, nesta fuga. Tal qual a Fênix, também nos deparamos com a astúcia do desenrolar de um vôo cego em direção a um futuro incerto. O renascimento é dádiva para qualquer um que se disponha a amanhecer seus sonhos ou simplesmente a acalentar a doce condição dos batimentos involuntários. Realmente não importa!

Vale é prosseguir, ainda que tateando, na imensidão dos espectros desavisados, transportando o fardo que cada asa é capaz de suportar. A força que é subtraída de cada acréscimo de poder investido no aquário existencial – onde as profundezas podem ser inimagináveis – nos permite vôos cada vez mais ousados. 

Para uns talvez apenas o destino a se cumprir seja o que conta; para outros talvez seja o caminho... o que vale é entender que somente a harmonia com cada intenção deve ser valorizada e mesmo esta intenção só vale em sintonia com a nota de cada acorde pessoal, em conformidade com a passada efêmera, tal qual um perfume pressentido e tocado pelo vento.

E o fogo que nos persegue é o mesmo que nos impulsiona; que nos faz registrar instantes de euforia ou de sobrehumanidade. A singularidade é poderosa quando nos exige unicidade em tudo o que tange nossos ilimitados corpos que queimam e se renovam pela singela passagem (ou não) do tempo.

Mas a preciosa contribuição deste poder único, conferido a todos indistintamente, participa da efetivação do sentido universal que permite a vida.
Cada pássaro é único, assim como cada digital, cada lembrança e cada verdade nela contida. A beleza da unicidade não se esgota na singularidade de uma vida, mas se propaga e se renova pela eternidade diante dos olhos e do revoar e nesta esperança nos transformamos, ainda que defrontados com o profundo processo singular da existência.

Luana Tavares

Um comentário:

  1. Na verdade, a própria singularidade é um desafio em si porque ela é formada por elementos que são comuns a todos. Todos possuem linhas de digitais. Mas quem as possui iguais? São tantas as variáveis que concorrem nessa igualdade, que podemos alegar possibilidades infinitas criando uma impossibilidade. E isso cria um quadro dentro de nosso psiquismo. Nesse quadro, somos únicos.
    Me pergunto como isso deve rolar para indivíduos que são gêmeos idênticos. Creio que mesmo neles as digitais diferem.
    Muito interessante. Beijão.

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